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As palavras me deram a vida, ao mesmo tempo que retiraram meu chão. Nasci quando aprendi a juntar as sílabas e pronunciar alguma coisa decente, morri quando percebi que um lápis sendo esfregando sobre um papel poderia ser a minha segunda voz. Minhas cordas vocais quase atrofiaram pela falta de uso. Na verdade, nunca gostei de falar e até hoje não compreendo esses falantes compulsivos que precisam a todo momento estar regurgitando palavras e obrigando os demais a ouvir coisas estupidamente desnecessárias. Eu gosto do silêncio que me ronda, enquanto minha mente é preenchida por um turbilhão de coisas completamente desconexas. Se eu fosse falar sobre todos os pensamentos que pairam sobre mim, perderia a voz. Meus gritos são mudos, sem formas nem ruídos. Meus gritos são escritos, e meus sentimentos embaralhados. Pensar demais leva à loucura, e daqui a pouco me atiro do precipício.
– Parimundi (via o-teimoso)